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O que falta jogar a FC Porto e Sporting até final do campeonato e quais as dificuldades que têm pela frente

30-03-2022 20:07
A sete jornadas do fim do campeonato, veja quem são os adversários de Sporting e FC Porto.
O que falta jogar a FC Porto e Sporting até final do campeonato e quais as dificuldades que têm pela frente
O que falta jogar a FC Porto e Sporting até final do campeonato e quais as dificuldades que têm pela frente

 

Após os compromissos das seleções, o campeonato vai entrar na sua fase absolutamente decisiva, isto quando faltam sete jornadas até final. Com o FC Porto (1.º) e Sporting (2.º) separados por seis pontos, vamos espreitar os calendários destas duas equipas até final e analisar o registos contra os adversários que vão ter pela frente nas próximas jornadas.

De referir que há um dérbi (Sporting e Benfica) e três clássicos (V. Guimarães - FC Porto, Benfica-FC Porto e FC Porto-SC Braga) até final do campeonato, e que muito podem decidir no que à atribuição do título diz respeito.

Veja o que se vai passar até final do campeonato.

 

28.ª jornada:

Na próxima jornada, o FC Porto recebe o Santa Clara, equipa que curiosamente impôs a primeira derrota do ano aos leões, na jornada 17 (3-2). Na primeira volta, os portistas impuseram-se com facilidade (3-0, golos de Sérgio Oliveira e Luis Díaz que bisou). No ano passado, na receção dos dragões aos açorianos, mais dificuldades para a equipa de Sérgio Conceição que só conseguiu impor-se por 2-1, com o golo da vitória a ser apontado por Toni Martínez à passagem do minuto 90+5. O Sporting recebe o Paços de Ferreira, depois de na primeira volta ter vencido por 2-0 (golos de Gonçalo Inácio e Pedro Gonçalves). Em 20/21, os verdes e brancos, que haveriam de se sagrar campeões, venceram por 2-0, com golos de João Mário (agora no Benfica) e de João Palhinha.

29.ª jornada:

Na jornada 29, o Sporting desloca-se a Viseu onde vai defrontar o Tondela. Na jornada 12, os verdes e brancos venceram por 2-0, depois dos golos de Pablo Sarabia e Paulinho. No época passada, na 23.ª jornada, os leões tiveram muitas dificuldades e só venceram pela margem mínima com Tiago Tomás a apontar o golo do triunfo (81´).

Nessa ronda, a equipa de Sérgio Conceição conta com uma sempre complicada deslocação a Guimarães. Na 1.ª volta, o Vitória foi um osso duro de roer e até esteve a ganhar depois de um golo de Marcus Edwards (agora no Sporting) de grande penalidade. Luis Díaz e Evanilson conseguiram depois dar a volta ao marcador na segunda parte. Em 20/21, a visita à cidade de berço também não foi pera doce, com os dragões a imporem-se por 2-1. Luis Díaz foi protagonista ao apontar o golo decisivo. Os dragões estiveram por duas vezes em desvantagem, Rochinha a abrir e de Oscar Estupiñán fizeram o gosto ao pé.

30.ª jornada

A ronda 30 traz-nos de novo o dérbi dos dérbi do futebol português, com a receção do Sporting ao Benfica. Na 1.ª volta, os leões fizeram sentir o seu domínio no estádio da Luz, depois de um triunfo por 2-1. Em 20/21, os leões levaram a melhor. O único golo da partida (1-0) foi apontado por  Matheus Nunes já nos descontos aos 90+2.

O FC Porto recebe em casa o Portimonense, depois de na 13.ª jornada se ter imposto em terras algarvias, com golos de Pedro Sá (AG), Vitinha e Otávio. No dragão, também na época passada, os azuis e brancos venceram por 3-1, mas ainda apanharam um susto depois do golo de Beto (agora na Udinese) a abrir. Mas os dragões deram a volta ao texto: Mbemba, Taremi e Sérgio Oliveira fizeram abanar as redes adversárias.

31.ª jornada

Vira a jornada e há de novo um grande clássico do futebol português, com o SC Braga a receber o FC Porto. Na jornada 14, no Dragão, o FC Porto saboreou a vitória graças a um golo de Luis Díaz. Na última receção dos bracarenses aos portistas, em 20/21, o jogo acabou por ficado empatado a duas bolas. Gaitán fez o empate já ao minuto 90+4, depois dos golos apontados por Fransérgio, Taremi e Sérgio Oliveira.

Por seu lado o Sporting desloca-se nessa jornada ao estádio do Bessa para defrontar o Boavista. Os verdes e brancos venceram na jornada 14 (golo de Sarabia e Nuno Santos). Em casa do adversário, em 20/21, os leões triunfaram, com Nuno Santos e Pedro Porro a serem os homens mais inspirados na finalização.

32.ª jornada

A duas jornadas do fim da I Liga,o FC Porto recebe em casa o Vizela, depois dos dragões na primeira volta terem vencido por 1-3 na condição de visitante (Golos de Matheus Uribe, Fábio Vieira e Evanilson, Cassiano marcou o golo dos vizelenses). Recorde-se que o emblema bracarense regressou este ano ao escalão maior do futebol português depois de 36 anos de ausência.

 

Na mesma jornada, o Sporting conta com uma complicada receção ao Gil Vicente, a grande sensação da prova, atualmente no quinto lugar. Esta época, à 15.ª jornada, os leões levaram a melhor por 3-0, com os golos dos verdes e brancos a serem apontados por Gonçalo Inácio, Daniel Bragança e Nuno Santos. Na última receção dos leões aos gilistas para o campeonato, o Sporting venceu por 3-1, depois de golos de Sporar, Tiago Tomás e Pedro Gonçalves.

33.ª jornada

A uma jornada do término do campeonato, os leões deslocam-se ao Algarve para defrontarem o Portimonense. Na primeira volta, o conjunto orientado por Rúben Amorim teve vida complicada para levar de vencido o emblema da cidade de Portimão. Matheus Reis abriu o ativo à passagem do minuto 21´, com Paulinho a responder com um hat-trick. Lucas Possignolo fechou as contas ao minuto 90+2.

A jornada 33 também terá clássico a apimentar a ronda, com o Benfica a receber o FC Porto no estádio da Luz. No ano passado, as duas equipas empataram a uma bola no estádio da Luz, golos de Everton (23´) e Matheus Uribe (75´). Já esta época, os dragões impuseram-se por 3-1 com golos de Fábio Vieira, Pepê e Taremi, com Roman Yaremchuk a apontar o único golo dos encarnados.

34.ª jornada

Na última ronda, o FC Porto recebe no estádio do Dragão o Estoril Praia, e os leões contam com uma receção ao Santa Clara. Na jornada 17, os portistas só levaram a melhor (2-3) já na parte final da partida, já que o tento da vitória, apontado por Francisco Conceição só surgiu ao minuto 89´. Na última deslocação ao Dragão, já em 2017, na última presença da equipa da Linha de Cascais na I Liga, os canários foram derrotados por 4-0 (bis de Marega e golos de Brahimi e Marcano).

O Sporting termina o campeonato com uma receção ao Santa Clara, frente à equipa que impôs o primeiro desaire na Liga aos comandados de Rúben Amorim: 3-2 foi o resultado, depois dos leões terem estado por duas na frente depois dos tentos de Palhinha e Sarabia. Jean Patric, Lincoln e Ricardinho foram os autores dos golos dos açorianos.

 

IN SAPO


 

 

De oligarca russo a mediador envenenado. Como é que Roman Abramovich chegou até aqui?

29-03-2022 20:14
A esmagadora maioria do público ficou a conhecê-lo quando comprou o Chelsea, em 2003, mas há muito que Roman Abramovich vinha fazendo fortuna. Oligarca surgido da Rússia de Boris Ieltsin, a sua relação com o Kremlin permitiu-lhe tornar-se num dos empresários mais poderosos do país. No entanto, essa mesma relação levou-o agora a ser alvo de sanções no âmbito da guerra na Ucrânia, onde tem tentado ajudado a mediar um tratado de paz e que lhe valeu uma aparente tentativa de envenenamento. Cidadão português desde abril de 2021, como é que Roman Abramovich se tornou um dos homens mais poderosos da Rússia?
De oligarca russo a mediador envenenado. Como é que Roman Abramovich chegou até aqui?
Lusa

 

Segundo o jornal britânico The Guardian, o percurso do Roman Abramovich está incomummente bem documentado em público — pelo menos para os padrões dos oligarcas russos. Tal deve-se a um caso que o empresário teve no Tribunal Superior de Justiça de Londres contra o seu ex-mentor, Boris Berezovsky, em 2011, que o levou a detalhar a sua vida ao milímetro.

Nascido em 1966 em Saratov, Abramovich cedo ficou órfão, perdendo os pais quando tinha três anos e indo morar com familiares na República de Cómi, na zona norte da Rússia, tendo uma infância que o próprio considerou digna, apesar de pobre. Depois de uma passagem pelo exército, o futuro empresário trabalhou como vendedor de rua e mecânico antes de estudar engenharia na Universidade Estatal de Gubkin, em Moscovo.

Apesar da sua formação, foi ao espírito empreendedor que decidiu dar vazão e, aproveitando o ar dos tempos — a reta final da União Soviética, durante o período da Perestroika, que permitiu alguma liberalização económica e, com ela, a formação de pequenos negócios —, montou uma empresa de brinquedos de crianças no seu apartamento de Moscovo.

Após a queda da URSS, Abramovich continuou a fazer caminho na selva desregulada e recém-capitalista dos negócios russos, entrando no ramo da troca e transporte de petróleo e outros produtos como açúcar, madeira e material industrial. Com a sua riqueza a crescer, tal como a fama, quando conheceu o seu mentor/futuro rival Berezovsky, em 1994, já era considerado um “empresário moderadamente bem sucedido”, como apontam os registos do tribunal.

Foi da união entre os dois que nasceu a Sibneft, megaprodutora e refinadora de petróleo russa que fez de Abramovich um bilionário. A sua formação conta a história da Rússia deste período conturbado dos anos 90. Berezovsky terá proposto a ideia formulada pelo seu novo parceiro ao Presidente russo, Boris Ieltsin, com quem tinha boas relações: juntar uma produtora de petróleo crude a uma refinaria, com esta nova corporação ficando a cargo dos dois empresários. Em troca, o lucro produzido serviria para fundar uma estação de televisão de propaganda pró-Ieltsin — este foi apenas um dos negócios da famosa “fase das privatizações” da Rússia.

O acordo foi oficializado em agosto de 1995 por decreto de Ieltsin, tinha Abramovich apenas 29 anos. A natureza da venda dos bens estatais ao futuro oligarca veio a revelar-se altamente dúbia, sendo comercializados em leilões muito abaixo do seu valor real e com outros interessados a serem desencorajados de participar. Ao todo, Abramovich e Berezovsky compraram a Sibneft por aproximadamente 240 milhões de dólares, quando os analistas hoje consideram que a empresa devia valer milhares de milhões de dólares, conforme uma investigação recente da BBC comprova.

Mais tarde, Abramovich admitiria em tribunal que conseguiu o negócio através de meios corruptos, nomeadamente ao passar 10 milhões de dólares a Berezovsky para este subornar um funcionário do Kremlin. No caso que o colocou contra o ex-companheiro, o seu advogado admitiu que o seu cliente “sabia da corrupção, mas que a realidade é que esta era a forma como se fazia negócio na Rússia naqueles tempos”.

Foi assim que foi engrossando o seu portefólio de ativos. A mesma investigação da BBC aponta para a compra de uma outra empresa petrolífera, a Slavneft, em 2002, em condições muito vantajosas, principalmente porque Abramovich estava a competir contra um consórcio chinês que oferecia o dobro do dinheiro. Essa participação, contudo, foi retirada quando um dos representantes chineses foi raptado em Moscovo — apesar do sequestro nunca ter sido ligado a Abramovich, ele foi o principal beneficiário deste ato.

Roman Abramovich
Abramovich a falar com um agente da polícia na Duma, em Moscovo, a 17 de julho de 2000 créditos: AFP FILES/ALEXANDER NEMENOV

A entrada de rompante na Europa

Se os anos de Ieltsin foram lucrativos para Abramovich, os de Vladimir Putin — eleito Presidente da Federação Russa em 2000, após um mandato de dois anos enquanto primeiro-ministro — foram-no ainda mais. Ao contrário de Berezovsky e outros oligarcas — com quem chocaria mais tarde — o empresário conseguiu manter-se nas boas graças do poder político.

Depois de fazer milhões com a venda de participações em empresas de alumínio — segundo dados revelados no caso judicial de 2011, fez quase dois mil milhões de dólares em 2003 ao vender 25% da sua participação na RusAl a outro oligarca — Roman Abramovich tornou-se uma cara conhecida do público europeu quando decidiu investir parte da sua fortuna no Chelsea FC nesse mesmo ano, tornando-se o principal acionista do clube de futebol de Londres, no Reino Unido.

Nesta altura, Abramovich já estava profundamente embrenhado na política russa, tanto que foi eleito governador da região de Chukotka — no extremo-oriente do país — em 2000 e assim se manteve até 2008, cargo pelo qual foi premiado com a medalha da Ordem de Honra por Putin.

Em 2005, tornar-se-ia um dos homens mais ricos da Rússia ao vender as suas ações na Sibneft de volta ao estado russo — sendo integrada na conhecida empresa pública Gazprom — por 7,4 mil milhões de dólares. Com uma fortuna incalculável, foi assim que foi alimentando o seu estilo de vida luxuoso, com a compra de megaiates e grandes propriedades, assim como canalizou dinheiro para fazer do Chelsea um dos maiores clubes do mundo.

A sua posição tornou-se de tal forma dominante que em 2009 o The Wall Street Journal disse que o mundo estava perante “The Roman Empire” [“O Império Romano”, numa alusão ao nome do empresário]. Além disso, como dinheiro gera dinheiro, Abramovich comprou ainda uma participação maioritária na Evraz, uma das maiores produtoras de aço do mundo.

No entanto, o passado de Abramovich voltaria para assombrá-lo, com Berezovski a colocá–lo em tribunal, exigindo uma compensação de 3.750 milhões de euros por um alegado abuso de confiança, chantagem e rutura de contrato. Abramovich acabou por vencer a milionária batalha legal em agosto de 2012, mas não sem ter a sua vida escrutinada.

O seu ex-mentor — que vivia exilado em Londres desde 2003 — caiu em desgraça com a chegada ao poder de Vladimir Putin em 2000 e acabou por perder o controlo de parte do império mediático e energético que tinha construído nos primeiros anos da Rússia pós-soviética.

Nessa ocasião, iniciou-se o conflito entre os dois colaboradores, quando o império de Berezovski começava a desintegrar-se e o oligarca foi forçado a renunciar à sua participação na Sibneft por uma fração do seu valor. Berezovski referiu em tribunal que vendeu as suas ações devido às intimidações de Abramovich, um argumento que não convenceu a juíza Elizabeth Gloster.

A mesma juíza, de resto, também indicou em tribunal que não havia provas de que a relação e o poder económico de Abramovich fossem capazes de influenciar a governação de Putin para prosseguir e beneficiar os seus objetivos comerciais e financeiros. No entanto, as ligações ao atual presidente russo viriam a tornar-se desastrosas para o empresário.

Abramovich
Vladimir Putin em conversa com Roman Abramovich no Kremlin, a 27 de maio de 2005. O primeiro já era Presidente da Rússia, o segundo desempenhava as suas funções enquanto governador da região de Chukotka. créditos: EPA/VLADIMIR RODIONOV ITAR-TASS POOL

Russo, israelita e, agora, português

A facilidade de acesso ao poder político que já granjeava desde os tempos de Ieltsin começou a tornar-se incómoda na viragem para a última década, com as relações entre o Ocidente a Rússia a deteriorar-se com a anexação da Crimeia à Ucrânia em 2014, o apoio das regiões separatistas pró-russas e o alegado envolvimento nas eleições presidenciais de 2016 nos EUA, entre outros temas.

É no seio deste crispar de relações, de resto, que Abramovich acabaria por tornar-se um cidadão português em abril de 2021 ao abrigo da Lei da Nacionalidade, como descendente de judeus sefarditas expulsos de Portugal no século XV.

Em 2018, Abramovich retirou o pedido de renovação do visto de investidor no Reino Unido devido ao conflito diplomático entre o país e a Rússia, na sequência do envenenamento do antigo espião Sergei Skripal em Inglaterra, já que o empresário detém passaporte russo. Na altura, a então primeira-ministra Theresa May ordenou uma reavaliação dos vistos atribuídos a centenas de “oligarcas russos” no país, porém Abramovich nunca foi sujeito a sanções internacionais. 

Ao passaporte russo, o oligarca juntou o israelita, tendo-se naturalizado no âmbito da Lei de Regresso, beneficiando da isenção de visto de entrada nos países europeus, não só da União Europeia (UE), como também do Reino Unido. Ainda assim, e tendo direito à cidadania lituana por via do pai e avós, deportados durante a II Guerra Mundial, Abramovich pediu a cidadania portuguesa em 2021 devido ao “espírito acolhedor” da legislação.

 

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Em dezembro de 2021 e já em plena tensão entre a Rússia e a Ucrânia, o opositor político russo Alexei Navalny criticou a decisão de Portugal de conceder a naturalização a Abramovich, questionando a legalidade e associando o empresário a Putin. “Finalmente conseguiu encontrar um país onde pode pagar alguns subornos e fazer alguns pagamentos semioficiais e oficiais para acabar na União Europeia e na NATO”, escreveu Navalny na rede social Twitter.

Na mesma altura, a natureza desse relacionamento entre Putin e Abramovich foi também trazida a público através de um caso de difamação quanto ao livro “Putin's People”, da jornalista Catherine Belton, que continha alegações de que o oligarca tinha comprado o Chelsea sob ordens do chefe de Estado. Abramovich venceu o caso, obrigando a editora HarperCollins a republicar a obra com clarificações acrescentadas.

abramovich
O megaiate "Eclipse" de Abramovich, ancorado no porto de Marmaris, na Turquia. créditos: Fatih Cetin / AFP

A proximidade ao Kremlin: um presente “envenenado”

Se até 2022, mesmo que fustigado com acusações incómodas, Abramovich se foi esquivando de sanções e punições pelas suas ligações ao Kremlin, tudo mudou com a invasão russa da Ucrânia.

Tendo escapado aos primeiros pacotes de sanções do Reino Unido e da União Europeia à Rússia e a vários oligarcas — sanções essas efetuadas devido ao reconhecimento formal por parte do Kremlin da soberania das duas repúblicas separatistas de Luhansk e Donestk, no Dombass ucraniano —, a invasão a 24 de fevereiro precipitaria o início do fim para o empresário na Europa.

Dois dias depois do início da guerra — e temendo a iminência de sanções —, Abramovich fez saber que ia deixar o controlo do Chelsea para os administradores da fundação de caridade do clube. Já a 2 de março, o corte foi definitivo, anunciando que ia vender a sua participação no Chelsea “por acreditar ser nos melhores interesses de clube, adeptos, funcionários, patrocinadores e parceiros”.

Apesar da aparente tentativa de querer fazê-lo atempadamente para evitar estragos para o Chelsea, estes foram inevitáveis. A 10 de março, o governo britânico anunciou sanções contra outros sete oligarcas russos, incluindo Abramovich, com o congelamento de bens e proibição de viagens. Tal ação significou a suspensão do processo de venda do clube, além do impedimento de vender bilhetes para jogos e negociar jogadores.

Às sanções britânicas seguiram-se as australianas e da parte da União Europeia. Quanto a estas últimas, apesar do seu processo de naturalização portuguesa estar sob investigação, o Ministério da Justiça fez saber que “as sanções da UE não incluem a perda administrativa da nacionalidade, nem o poderiam fazer por razões básicas do respeito pelo Estado de direito”.

Despojado dos seus interesses comerciais no Ocidente, Abramovich tem, todavia, feito da sua proximidade ao poder russo um trunfo para tentar negociar a paz com a Ucrânia. Foi mesmo Kiev a pedir ao oligarca que intercedesse, nos primeiros dias do conflito, tendo mais tarde pedido os EUA para não avançarem com sanções contra Abramovich, já que ele poderia vir a servir de mediador.

O envolvimento de Abramovich na mediação do conflito foi inicialmente noticiado pelo jornal britânico Jewish News, que disse que as autoridades ucranianas tinham contactado o empresário russo através dos seus contactos judeus na Ucrânia, já que o Presidente, Volodymyr Zelensky, é ele próprio filho de judeus. Mais tarde, o Kremlin confirmaria a participação do oligarca no processo.

No entanto, apesar da aparente boa vontade de Abramovich, nem tudo foram rosas. Esta semana, o The Wall Street Journal noticiou que o oligarca e negociadores de paz ucranianos apresentaram sintomas estranhos após uma reunião em Kiev no início deste mês, suspeitando-se o seu envenenamento. A mesma informação foi adiantada pelo portal de jornalismo de investigação Bellingcat, que também confirmou "que três membros da delegação que participou nas conversações de paz entre a Ucrânia e a Rússia na noite de 3 para 4 de março registaram sintomas consistentes com o envenenamento com armas químicas" e que "uma das vítimas foi o empresário russo Roman Abramovich".

Os sintomas - olhos vermelhos e lacrimejantes, rosto e mãos esfoladas - deixaram de se fazer sentir mais tarde "e as vidas [dos indivíduos em causa] não estão em perigo", escreveu o WSJ. Não se sabe quem foram os responsáveis, mas as fontes do jornal económico apontaram como suspeitos defensores de linha dura de Moscovo que alegadamente querem sabotar e colocar um fim às negociações para acabar com a guerra na Ucrânia.

No entanto, uma fonte próxima de Abramovich disse não ter a certeza de quem tinha visado o grupo, acrescentando que os peritos ocidentais tinham sido incapazes de determinar a causa dos sintomas. Mais tarde, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, reagiu a estas alegações, considerando-as “parte da guerra de informação contra a Rússia", antes de insistir que "esta informação não corresponde à realidade".

Também os serviços de informações dos Estados Unidos contrariam possibilidade de envenenamento avançada esta segunda-feira pelo Wall Street Journal, dizendo que os sintomas tiveram origem em fatores ambientais, sem, todavia, elaborar.

Uma coisa é certa: Abramovich marca presença nas negociações russo-ucranianas que começaram hoje em Istambul, na Turquia. “Abramovich desempenha um papel no estabelecimento de contactos entre os lados russo e ucraniano”, disse Dmitri Peskov, embora tenha salientado que “ele não é um membro oficial” da delegação russa liderada pelo ex-ministro da Cultura Vladimir Medinski.

 

IN SAPO


 

 

62 homicídios em 24 horas. El Salvador decreta estado de emergência

28-03-2022 15:56

62 homicídios em 24 horas. El Salvador decreta estado de emergência

O parlamento de El Salvador aprovou hoje, a pedido do presidente Nayib Bukele, o decretar de estado de emergência por um mês, como tentativa de conter a violência de gangues, acusados de terem cometido 62 homicídios em 24 horas.
62 homicídios em 24 horas. El Salvador decreta estado de emergência

 

O decreto, aprovado por larga maioria, estipula que “é decretado um regime de emergência em todo o território nacional devido a graves perturbações da ordem pública por parte de grupos criminosos”.

O estado de emergência, restringe a liberdade de reunião, a inviolabilidade de correspondência e comunicações e permite prisões sem mandado.

El Salvador registou no sábado o dia mais violento da sua história recente, com 62 homicídios, numa escalada de violência que começou na sexta-feira, confirmou hoje a Polícia Nacional Civil (PNC).

A PNC oficializou os dados, que já tinham sido avançados por fontes não oficiais, quando se esperava o início de uma sessão plenária extraordinária na Assembleia Legislativa para a votação de um regime de emergência.

Nayib Bukele pediu no sábado ao Congresso, através do Twitter, que decretasse um regime de emergência numa altura em que o país enfrenta uma escalada de homicídios desde sexta-feira atribuídos a ‘gangs’.

“Peço à @AsambleaSV (Assembleia Legislativa) que decrete hoje um regime de emergência, de acordo com o artigo 29 da Constituição da República”, escreveu o Presidente no Twitter.

A escalada de homicídios este fim de semana chegou aos 76 mortos em dois dias, com os 14 ocorridos na sexta-feira.

O número mais próximo dos 62 homicídios registados no sábado são os 51 ocorridos num único dia em agosto de 2015, quando o país viveu o seu ano mais mortífero desde o fim da guerra civil (1980-1992).

“Não vamos recuar nesta #guerracontraosgangs, não vamos descansar até que os criminosos responsáveis por estes eventos sejam capturados e levados à justiça”, escreveu a PNC na rede social Twitter.

Esta etiqueta de “guerra” foi adotada por funcionários do Governo, como o ministro da Segurança, Gustavo Villatoro.

O antecessor de Nayib Bukele tambem adotou uma estratégia de confronto direto com os ‘gangs’ após o romper de uma trégua promovida pelo ex-Presidente Maurício Funes (2009-2014).

 

Em novembro de 2021, El Salvador também viu um aumento repentino de homicídios que provocaram mais de 40 mortos em três dias.

Naqueles dias, Bukele pronunciou-se sobre as acusações de que o súbito aumento dos homicídios daqueles dias estava relacionado a uma suposta quebra de uma “trégua” com os ‘gangs’.

Sem entrar em detalhes ou fornecer provas, Bukele atribuiu anteriormente o aumento dos homicídios a “forças das trevas que estão a trabalhar para devolver o passado” e, garantiu que o seu Governo “não o irá permitir”.

Em dezembro de 2021, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sancionou dois funcionários do Governo de Nayib Bukele por supostas “negociações secretas” com o MS13 (nome abreviado do ‘gang’ Mara Salvatrucha que teve início nos anos 80, formado por fugitivos da guerra civil de El Salvador e que atua, principalmente, nos Estados Unidos e América Central)

IN SAPO

 

Musica para limpar a cabeça

27-03-2022 15:38

www.youtube.com/watch?v=7kaHxwjRWC0

Danças Africanas

26-03-2022 14:38

balleteatro.pt/servico-educativo/cursos/Dancas-Africanas/

EUA e UE anunciam acordo para reduzir dependência da energia russa

25-03-2022 12:13
EUA e UE anunciam acordo para reduzir dependência da energia russa

Os 15 mil milhões de metros cúbicos de GNL suplementares serão fornecidos ainda este ano, comprometendo-se Biden a aumentar o fornecimento dos EUA “para 50 mil milhões de metros cúbicos de gás anualmente até 2030”, à medida que a dependência da UE da energia russa for sendo reduzida.

Numa declaração conjunta com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o líder dos EUA acrescentou ter como objetivo “ajudar a Europa a reduzir a sua dependência energética da Rússia”, na sequência da invasão da Ucrânia por aquele país.

Para alcançar este objetivo, referiu ainda Biden, “a Comissão Europeia irá trabalhar com os Estados-membros no reforço da capacidade de armazenamento no continente, na construção de mais infraestruturas para receber GNL e no aumento da eficiência do gás”.

Por seu lado, von der Leyen sublinhou que a parceria hoje estabelecida com os EUA foca-se ainda, para além da segurança energética, “na construção de um futuro mais verde”.

A líder do executivo comunitário referiu ainda, no dia em que Joe Biden termina a sua visita a Bruxelas que a participação do presidente dos EUA nas cimeiras da NATO, do G7 e ainda no Conselho Europeu, “envia uma mensagem poderosa ao mundo: a parceria transatlântica está mais forte, mais pertinente e mais unida do que nunca”.

Este acordo de fornecimento de GNL pelos EUA surge no contexto da invasão da Ucrânia pela Rússia, um conflito que afeta o mercado energético europeu, dado que a UE importa 90% do gás que consome, sendo a Rússia responsável por cerca de 45% dessas importações em níveis variáveis entre os Estados-membros.

 

IN SAPO


 

 

Aprenda a desenhar

24-03-2022 14:56

quickdraw.withgoogle.com/

IBIZA

23-03-2022 16:55

Guns N' Roses - Sweet Child O' Mine (Official Music Video)

22-03-2022 20:04

www.youtube.com/watch?v=1w7OgIMMRc4&list=RD1w7OgIMMRc4&start_radio=1

David Beckham cede a conta de Instagram a médica ucraniana

21-03-2022 20:05

 

David Beckham cedeu a sua conta de Instagram a uma médica ucraniana, que está a trabalhar em Kharkiv. Neste domingo, através da conta do futebolista britânico foram partilhados vários vídeos e fotografias que ilustram o trabalho dos profissionais de saúde durante o conflito.
David Beckham cede a conta de Instagram a médica ucraniana
DR

 

David Beckham cedeu a sua conta de Instagram, com mais de 71,6 milhões de seguidores, a Iryna, uma médica pediatra ucraniana do Centro Perinatal Regional de Kharkiv.

Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, tem sido alvo constante de bombardeamentos russos há três semanas.

 
Na conta do futebolista, a médica partilhou fotos de recém-nascidos na unidade de cuidados intensivos, onde dependem de equipamentos de oxigénio doados pela Unicef.Numa das stories, a médica filmou uma jovem mãe, Yana, a segurar o filho, Mykhailo, que nasceu com problemas respiratórios, e cuja casa foi destruída.A médica partilha que trabalha "24 horas, sete dias por semana" e que os primeiros dias de conflito foram os mais difíceis.
 
IN SAPO

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"Provavelmente estamos a arriscar as nossas vidas, mas não pensamos nisso. Amamos o nosso trabalho. Somos médicos e enfermeiros. Preocupamo-nos, choramos, mas nenhum de nós vai desistir", acrescentou.

Beckham é embaixador da Unicef desde 2005 e desafiou a fazerem doações para a organização que está na Ucrânia a auxiliar no acesso a água potável e alimentos.

 

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